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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O povo Sikh - Uma aventura na Índia

*viagem patrocinada pelo Rotary International - fui como embaixadora da Arte da Dança

Ir para a India é uma experiência única. As cores, a comida, as pessoas, os lugares...tudo é grandioso e incrível.
De todas as vivências que tive morando com 11 ou 12 famílias na minha jornada de 38 dias por 13 cidades- ufa! - o que mais me impressionou foi conhecer o povo Sikh.

Meu amigo, Kammaaljeet

A visão de um Sikh nunca é algo trivial.
São homens altos, de pele morena, lindos olhos amendoados e o turbante feito com 7 metros de tecido chamam a atenção e nos fazem perdurar o olhar.

Eu nunca havia visto um Sikh pessoalmente e confesso que minha unica referência era o do filme 'O Paciente Inglês' interpretado por Naveen Andrews, com o personagem 'Kip'.
'Cena de O Paciente Inglês'

Os Sikh tem um orgulho em ser quem são e ostentam isso com uma naturalidade genuína, que me faz lembrar com detalhes de cada Sikh que vi na India. Os turbantes podem ser de cores e tecidos variados, mas o olhar de Rei é sempre o mesmo.
São todos magros e elegantes, e os mais velhos um pouco corcundas devido a idade e o peso do cabelo - que não cortam jamais ao longo da vida, e os sete metros de tecido do turbante.

Em uma viagem de trem, passei quase todo o trajeto perguntando e aprendendo sobre esse povo com o meu amigo Kammaal. Foram horas de conversas, risos e a constatação de que, se eu pudesse escolher um bom amigo, seria um Sikh.

Eu tomei nota de quase tudo o que conversamos, e folhear meu caderno hoje, encheu meu coração de saudade. Enquanto o trem percorria o sul da India, eu fui descobrindo um universo de homens guerreiros e trabalhadores.

'Você jamais verá um Sikh pedindo esmolas' - ele me disse.
'Nós temos saúde e força e iremos trabalhar e sobreviver com honra até o fim dos dias.'

Um Sikh tem orgulho de sua estirpe e demonstra isso utilizando os símbolos máximo de sua fé - que se mistura à vida -
- o turbante - para diferenciá-los na multidão e fazê-los lembrar quem são;
- a pulseira de metal ''Kara''- como símbolo de sua fé e exemplo do seu Guru - uma forma circular para lembrar que o universo é infinito, e  toda vez que  levarem a mão à boca para comer ou beber, professar a sua fé lembrando de quem são e de que fé é tão importante quando o alimento;
- o punhal 'Kirpan' - parece-se com um, não dá pra descrever, mas os deixa sempre prontos para a batalhe e é o símbolo de sua força e prestatividade;
- pente- 'Kanga' - trazem sempre consigo, ou no turbante, ou no bolso, reafirma o compromisso com a sociedade Sikh;

- a roupa de baixo é sempre a mesma - mesmo modelo- para lembrar da humildade e origens, independente de poder aquisitivo ou traje de luxo.



Pedi ao meu amigo que me ensinasse como prender o cabelo, por baixo do turbante

O cabelo e o turbante são parte de um ritual diário que requer tempo e destreza dos homens Sikh.
São 7 metros de tecido para envolver kilos de cabelo, que jamais foram cortados.

Fiquei imaginando aquilo tudo de cabelo preso no tecido, com o calor da India... mas devo dizer que em nenhum momento presenciei algum Sikh com aroma de suor ou que não cuidasse da higiene. Pelo contrário, a despeito dos hábitos dos Indianos em geral - apenas um banho por dia, pela manhã - os Sikh sempre me pareceram asseados e preocupados com a saúde e aparência.
Foram um dos poucos povos em que percebi a preocupação em lavar as mãos antes de comer e estar o tempo todo com lenço, para manter mãos e rosto limpos.Os meninos Sikh acostumam-se desde pequenos a ter seu cabelo envolto em tecido, seguindo o exemplo do pai e de seu povo. Atualmente, a nova geração de jovens Sikh têm abandonado o turbante, o emblema mais visível dos Sikh devido a modernização e globalização das tendências de moda e comportamento ocidentais, porém em muitas regiões do interior da India é possível encontrar jovens que decidiram seguir as tradições.

Aprendi com esse povo sobre ter orgulho de quem somos e não se envergonhar de suas escolhas.
Um dos momentos de sabedoria Sikh eu pude presenciar em meio a um grupo de pessoas, quando percebi meu amigo Sikh silencioso e, na tentativa de fazê-lo interagir eu disse: ''Kammaal e você? Por que não está conversando?" e ele respondeu:

''Se todos estão conversando, quem está ouvindo?''

São pequenas 'pérolas' como essas aliado ao comportamento educado e garboso que me fizeram encantar por esse povo.

Num dos bate papos que tivemos, aprendi que os Sikh procuram por esposas discretas, de pele morena, cheinhas - sim, quadris largos e seios fartos, segundo eles requisitos para serem boas mães/parideiras - e olhos escuros. 

Para um Sikh, uma mulher como eu - de olhos claros - é considerada uma 'aberração' (palavras do meu amigo! rs) pois olhos e pele clara representam fragilidade, pouca saúde e iria 'sujar' a linhagem morena e de olhos escuro amendoados dos Sikh.

eu e minha amiga Silvia, durante a viagem, com Kammaal

O povo Sikh foi um dos primeiros a estabelecer uma corrente solidária através de sua fé. Todos os templos Sikh possuem um cômodo que serve de abrigo a andarilhos, viajantes e pessoas menos favorecidas, para que possam dormir e receber alimento sem custo algum.

Para visitar um templo a mulher deve cobrir o cabelo.

A experiência de visitar um templo Sikh  é algo inesquecível.
O dourado impera nos detalhes e apesar de parecer sisudo, é tudo simples e limpo. Há sempre alguém lendo a escritura sagrada dos Sikhs o ''Guru Grand Sahib'', segundo eles a revelação categórica de Deus numa linguagem universal. 
É lindo, independente do idioma, é possível sentir na voz de quem lê o sagrado ali presente. Em qualquer horário, nas 24h sempre haverá alguem lendo e cantando as revelações.

Não tem como separar fé, religião e sociedade.

Para o Sikh tudo está interligado e é maravilhoso presenciar o sagrado em seus gestos, sorrisos e ações.

Esse post é apenas uma pequena fagulha das minhas impressões, você pode saber mais pesquisando sobre o Sikhismo na net e leituras variadas.








terça-feira, 20 de setembro de 2011

Quem é o seu 'Guru' na dança?


Estava revendo umas fotos da minha viagem à India em 2009/2010 - passou rápido! e encontrei uma das muitas aulas de yoga e dança indiana que fiz em algumas cidades.

Dança Odissi

Teve uma em especial, em Rourkela, no qual a academia de dança era feita especialmente para o estudo e vivência da dança. Vivência com intensidade, devo dizer.

Entrada da academia


As alunas tinham, além da técnica da dança, aula de música, palestras sobre a cultura, sala de figurino - e aprendiam a costurar os próprios figurinos, aprendiam a maquiar, tinham aulas de etiqueta e mais inúmeras atividades.

Diversas fotos de gurus e bailarinos do passado, para não esquecerem dos mestres


Aulas com música ao vivo



O mais interessante, era que cada professora dava aulas supervisionada por um 'Guru'.

Pode parecer estranho, mas ter um 'guru' é comum na dança indiana - ao menos na clássica, Odissi. Isso foi o que vi lá em cerca de 12 cidades.
As pessoas dançavam, e ao final o Guru aparecia para fazer correções ou - muito raro - dar os parabéns.

Uma bailarina me disse que a presença do guru é uma constante. Cada bailarina escolhe o seu guru e este acompanha todos os passos da mesma.

As vezes um guru orienta e conduz pequenos grupos e acompanha de perto suas vidas, inclusive opinando em situações familiares, relacionamentos e trabalho.

Na India, não há dissociação entre palco e vida privada.

O Guru da professora, acompanhando a aula. Tenso!


A bailarina deve respeito ao guru - elas tocavam seus pés ao vê-los, símbolo máximo de respeito e reverência na India - e se um guru decidisse deixar de acompanhar a bailarina, era o símbolo máximo de desonra para esta.


Alunas esperando orientações



Em muitos shows que presenciei, o Guru ficava ao lado do palco assistindo a performance e antes de entrar em cena a bailarina primeiro reverenciava seu mestre e, ao final, a bailarina corria para tocar seus pés.

Era sempre emocionante ver a conexão entre guru e bailarina e o olhar de respeito que pairava entre ambos.

E aí eu pensei na nossa realidade: quem é o seu guru?

Temos ídolos, divas, musas.
Mas há de se convir que essas estrelas não tem tempo para orientar e guiar de maneira individual, ou, pelo menos, eleger um pequeno grupo e estar presente de maneira intensa.
Aliás, muitas dessas divas perdem  o seu encanto quando sua parte humana e cheia de falhas se sobrepõe ao talento e didática.


Lord Jaganahth a representação máxima do Deus na dança Odissi

É preciso lembrar que na India a dança tem conexão direta com o sagrado e por isso o respeito e dedicação de todas.

Mas por que não tornamos o nosso sagrado particular em situações de aulas, shows e eventos?

Há muito o que se aprender com as bailarinas da India...



Yoga

Não é só uma prática, mas um estilo de vida.
As pessoas acordam, tomam banho, alimentam-se e vão fazer o yoga.

Passei por várias famílias que praticamente me tiravam da cama e faziam eu praticar com eles - muito cedo.

Mas também há os locais de ensino, é complicado chamar de 'academia' mas vou usar esse termo que é o que mais de aproxima.
Também nas academias, o professor é tratado como 'guru' e é raro ver alunos migrarem de um local para outro. Quem escolhe o guru e é orientado por ele, é leal.



Minha hostess em Sambalpur-India, vejam ela acima fazendo yoga.

Reparem nos dizeres 'Yoga e Nutrição' da sala de prática... na India o serviço é completo: técnica, saúde e espiritualidade.

Saudade boa....



sábado, 14 de agosto de 2010

Beauty (My Love to the Indian People)


''Beauty is not in the face; beauty is a light in the heart.'' Khalil Gibran
Meu primeiro grande show na India (Dez/2009) em Raipur.
Um momento que jamais esquecerei.

A beleza tão diferente das pessoas na platéia, as mulheres e seus sáris, os homens e seu respeito velado, o aplauso caloroso do povo indiano.
Fazia um frio de 4º e a sensação térmica no local era de cerca de 10º.
Dancei 'Aquarela do Brasil' na voz de Gal.
Ao final do show, tive que ficar cerca de 10 minutos numa pequena sala, enquanto seguranças tentavam afastar a multidão de pessoas que queria foto e autógrafo.
Na Índia é extremamente raro uma mulher de pele branca, olhos claros e - o que mais lhes chamava a atenção- cabelo cacheado.Eles transformam tudo em beleza.

O Belo, para o povo indiano, é tudo que emana luz.

Pelas cores que residem em mim (pele, cabelo, olhos) eles me transformaram em algo que eu adoraria ser, de fato.

Eles carinhosamente me chamavam de 'Sparkling' uma palavra que nossa língua não consegue descrever com a exatidão e o sentido que eles davam.
Eu fui a 'sparkling girl' pela minha jornada na India.
Onde andava, crianças, adultos, pessoas pediam fotos, me davam flores, diziam poesias e muitas vezes seguravam minha mão.

Uma vez, quando ia para o show, uma mulher me viu com o traje de dança e tocou meus pés. Eu fiquei sem graça e mal sabia o que fazer.

Eles só tocam os pés dos mais velhos, dos sábios e dos deuses.


E eu, decididamente, não sou nenhum deles.

Acabou virando uma brincadeira no grupo que viajou comigo: os meninos se transformaram em seguranças, por diversas vezes tendo que me tirar da multidão, minha 'Chefa' Sílvia, a Líder do grupo, me ajudava com as trocas de roupa nos shows e eu ali, sem entender muito bem se merecia tanto carinho.
Eles pediam para eu dançar e nunca enjoavam, pediam para eu falar, cantar e sorrir.

Tocavam meu cabelo, me presentearam com jóias que eu jamais teria condições de comprar, deixavam que visitasse lugares proibidos para turistas comuns e famílias que me hospedaram se apegaram a mim de uma maneira que aqueceu meu coração para sempre.

Tenho saudades desse sonho momentâneo.
Na India, eles viram em mim uma luz, que nem eu sabia que existia.


Adoraria ser sempre a 'sparkling', mas a vida volta e meia me puxa para a realidade.

Na India, Artistas são tratados como Deuses.

Na India, posso dizer, sem sombra de dúvida, que fui feliz todos os dias.



Todo o meu amor ao povo indiano.
Vocês são o povo mais BELO do mundo!
Saudades imensas.
''E a beleza não é uma necessidade, mas um êxtase.
Não é uma sede na boca nem uma mão vazia que se estende,
Mas um coração inflamado e uma alma encantados.

Não é a imagem que você veria nem a música que ouvia,
Mas uma imagem que você vê 'através'.
É você fechar os olhos e ouvir uma música em seus ouvidos.

Não é a seiva na casca enrugada, nem uma ala ligada a uma garra,
Mas um jardim sempre em flor e um bando de anjos para sempre em vôo.

A beleza é a vida quando a vida desvela seu rosto sagrado.
Mas você é a vida e você é o véu.
A beleza é a eternidade olhando para si mesmo em um espelho.
Mas vós sois a eternidade e você é o espelho.
''
Khalil Gibran
















quinta-feira, 4 de março de 2010

O Casamento na India

* o relato abaixo é o resultado de anotações, observações e 'entrevistas' que fiz com a familia que me hospedou em Raipur, e conversas com indianas nas cidades de Bhalagat e Rourkela.

O casamento na India não é simplesmente um ato, uma cerimônia.
Antes do 'casamento' em si, ocorrem duas cerimônias que o antecedem.
Uma, é a 'oficialização' (essa que participei), na qual o casal anuncia oficialmente, somente para os familiares, que pretendem ficar noivos.
Depois, é realizada a cerimônia de noivado, com os familiares e alguns convidados, é um pouco mais elaborada, com mais rituais.
E, por fim, o casamento, uma grande festa para muitos convidados, que costuma durar de 03 a 07 dias, considerado pelos indianos como o mais importante evento de uma família.
A cerimônia de pré-noivado é chamada pelos indianos de 'Gordhana'.
É um ato especial e carregado de emoção. Como citei, apenas os familiares mais próximos participam desse evento, e eu era a única turista presente, a única estrangeira que pode participar, isso devido a generosidade do meu hostess Akhil, que me disse: "Você é visita, é deus em minha casa, e minha filha, então você pode participar."

Familiares, e as mulheres com a Noiva

As mulheres vestem seus melhores sáris, e os homens a veste tradicional indiana 'Kulta pijamas'.
Ficam cada um de lado, como em quase todos os locais da India, mulheres separadas de homens.

As mãos da noiva


A noiva faz 'mahandi' a pintura de mãos, que é utilizada somente em ocasiões festivas, usualmente casamento ou celebrações relacionadas a bodas. Mulheres que usam 'mahandi', homens não costumam usar.



Eu e meu amigo Paulo fizemos 'Mahandi', mas só depois descobrimos que era para casamentos... todos insistiam que éramos noivos, até explicar...rs

Uma regra: não se deve usar preto, por parte das mulheres. A cor ideal para o casamento é o vermelho, atrai boa sorte e fartura.

O branco é usado em ocasiões de luto, vejam que interessante.
As famílias conversam alegremente, até a chegada do noivo.
Ele veste o 'patani' um traje tradicional mulçumano, de sua origem.

O noivo espera a noiva...


Como se fosse algo previamente combinado, os pais/sogros de retiram para uma sala reservada, é servido um chá para eles e ficam cerca de 15 minutos conversando. Enquanto isso, o noivo fica esperando a noiva e os familiares sussurrando, conversando, em momentos tensos e ansiosos que antecedem a cerimônia.

Em seguida, os familiares retornam para a sala onde estão todos reunidos, e a noiva chega, em silêncio e muito delicada, senta-se ao lado do noivo. Eles não se cumprimentam, mal trocam olhares.


A cerimônia começa com a mãe do noivo abençoando a noiva. Inicia-se um ritual de ofertas e presentes, primeiro a mãe do noivo para a noiva, depois a mãe da noiva para o noivo.

É um ato simbólico que representa: 'agora ganhei um filho / filha e devo cuidar dele'.

Cada oferenda tem um significado: o coco, considerado a fruta do sagrado, traz bênção e boa sorte. Os doces em cor amarelo, simbolizam a fartura, para que nunca falte comida.

Oferendas

As jóias, simbolizam a riqueza e o status. O Sári, é colocado pela sogra, na noiva, e é o momento mais emocionante do evento, todos se emocionam muito. É como se ao usar o sári, a mulher transcende um rito de passagem, torna-se mulher, ganha um novo status na sociedade.


A mãe da noiva e a Sogra, colocando o Sári na noiva, um momento emocionante


Depois, todos entregam envelopes, que contem dinheiro, ao casal, e os abençoam colocando hena vermelha e arroz em sua testa.

Ao final da cerimônia, os sogros trocam bênçãos, com a henna e abraços, um momento muito bonito.

Tudo é feito no maior silêncio, sem música ou conversas, as pessoas que assistem sorriem e suspiram, compartilhando uma felicidade interna e sincera, com muito respeito.

A noiva e eu

Após a bênção, os noivos vão rezar para o deus, juntinhos, e por fim é servido um almoço comemorativo.

Na cultura indiana, ao se casar, a mulher passa a adorar o deus do marido. Não importa se antes ela adorava outro deus, a partir do momento em que se torna esposa, ela passa a adorar o deus do marido.


Geralmente, a mãe do marido (e o pai) passam a morar com o casal. A esposa não tem escolha, a primeira mulher da casa será sempre a sogra. E ela é quem comanda tudo na casa, a esposa deve respeitá-la e não questionar. Das 13 cidades que visitei, fiquei em apenas 01 casa em que a sogra não morava com o casal.

Agora é oficial!


Na India um homem fazer tarefas domésticas é quase uma aberração. Usualmente eles tem vários empregados e empregadas para fazer os mais diversos serviços, mas no momento da refeição, é sempre a esposa quem serve o marido.

Falarei mais sobre como esposa e marido se comportam a mesa no próximo tópico, sobre 'comida'. Mas basicamente, a esposa e filhas são sempre as últimas a comerem. Elas não se sentam a mesa com os maridos, e os maridos e filhos é quem comem primeiro.

O relacionamento do casal é bem diferente do que em nosso país.
Existem dois tipos de casamento: 'por amor' e 'arranjado'.
O 'por amor' é considerado algo moderno, perigoso e pouco usual na India, mas vem acontecendo com mais frequencia nos ultimos 5 anos.

O 'arranjado' é o mais frequente e, diferente do que pensamos, não é somente uma relação de interesse financeiro.

É o resultado de toda uma cultura de castas. Basicamente, os indianos preferem que seus filhos e filhas se casem com alguem da mesma casta. Então o pai escolhe uma familia da mesma casta e um marido que possa dar a filha o mesmo padrão de vida a qual ela está acostumada. Os pais dão uma quantia em dinheiro,para ajudar a filha a começar a vida, e depois o marido é quem assume a obrigação de manter esse padrão.

Eles me perguntavam sempre se meu casamento era por amor ou arranjado. No começo estranhava e até me sentia ofendida, mas após aprender a cultura indiana, entendi e aceitei.

Uma frase interessante que ouvi do meu amigo Kamal: "No seu pais, primeiro as pessoas se amam, depois se casam. Na India, primeiro nos casamos, depois aprendemos a amar."


Meu casamento, por amor!
(mas bem diferente, foi de manhã, num belo jardim,convidados de branco e eu de lilás!)


Em alguns lugares, era comum os maridos apresentarem as esposas e, em seguida, fotos das 'namoradas'. Para alguns indianos é normal ter uma bela e responsável esposa em casa, e uma namorada para outros momentos. A diferença é que aqui no Brasil isso é tabu e todo mundo 'disfarça' as amantes. Em alguns locais na India, eles assumem isso naturalmente.

E, em algumas familias de muçulmanos, eles realmente podem ter quatro esposas, desde que possam manter todas elas com um bom padrão de vida.

A esposa indiana é sempre muito reservada e servil. Ela comanda a casa, serve o marido, e está sempre arrumada com seus lindos sáris, maquiada e serena.

Alguns conselhos que Soultana, minha hostess em Raipur me deu, sobre ser uma boa esposa (na visão indiana):
- Usar o sári, sempre limpo e impecável;
- Ouvir, mais do que falar;
- Ter respeito pelo marido;
- Não falar muito, principalmente sem ser chamada;
- Ser cuidadosa com a casa e a família;
- Atender todas as demandas do marido;
- Quando falar, falar sempre suavemente.


A relação do casal na India é um tanto interessante. O país, famoso pelo Kamasutra, é ao mesmo tempo uma lição de recato e embotamento em relação ao afeto entre o casal. Eles não demonstram afeto fisicamente, como nós.

Não se vê, na India (geralmente) casais trocando beijo, abraço, toques de carinho. Penso que eles reservam esses momentos apenas entre quatro paredes. E o Kamasutra, afinal, não se refere somente a posições sexuais, mas sim a etapas que antecedem o ato sexual, como o flerte, os cuidados com corpo, cabelos, dicas de massagem, toques, etc (ainda estou lendo a edição que eu trouxe).


A maneira como a esposa olha para o marido é algo que eu sempre me impressionava. É como se fosse com devoção, admiração extremas. O marido é sempre o presente na casa e na vida dela, e ela, uma sombra. Em algumas familias, uma sombra triste, em outras, uma sombra reluzente e companheira. Como toda familia, de qualquer lugar, existem diferenças.


Na India, a mulher casada não usa aliança, como nós. Aliás, quando eu mostrava aaliança, elas geralmente falavam: "Só isso?"
Bem, minha aliança é simples, apenas ouro e fina, até. Sem diamantes ou brilhantes ou grossa. Mas na India, o status da mulher casada siginifica:
- Muitas jóias. Pulseiras, colar, tornozeleiras em ambos os tornozelos;
- Piercing no lado esquerdo do nariz (no Sul da India, é mais comum, nas outras regiões, apenas as casadas usam o piercing; crianças e adolescentes usam adesivos, que simbolizam a jóia);
- Testa pintada de vermelho - usualmente as casadas usam, alguns homens usam também. Em algumas regiões, elas pintam também a raiz do cabelo com a tinta, em forma de pó.
- Bindi - na India é muito comum as mulheres usarem, tem várias formas, cores, tamanhos. Geralmente o vermelho é sempre das casadas, mas isso não é uma regra.


Eu ganhei muitas jóias, principalmente pulseiras, pois segundo as indianas: "Mulher casada e feliz, usa muitas jóias." Logo eu, que só usava pulseiras nos shows, passei a usar na India e até gostei desse costume, agora sempre uso ao menos uma pulseirinha.

Só estando mesmo presente, para sentir a emoção de presenciar uma cerimônia na India...


Próximo tema sobre a India: os rituais de beleza e conduta da mulher indiana, aguardem.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Sagrado na India


Homem adorador de Shiva - o colar representa que ele é Veg, e a cor branca da tinta, significa que ele é devoto ao deus
Nota: Índia = 01 bilhão de habitantes
Língua nacional: Hindi
Língua Oficial: Inglês
E mais de 200 dialetos e idiomas, dependendo do estado, cidade ou tribo.

O Hinduismo não é considerado religião pelos hindus, e sim um estilo de vida.
Para ser considerado uma religião seria necessário:
- um profeta;
- uma bíblia ou livro sagrado;
- um dogma
- um rito de iniciação ou batismo
E nenhum desses itens é presente no hinduismo.

Antes do hinduismo estabelecido, a Índia tinha como vertente a filosofia brâmane ou os 4 vedas, depois o hinduismo se estabeleceu.

E o que é o Hinduismo? Eu perguntei. Foi-me dito: “Way of life.” (Você deve viver, sentir o hinduismo.)
Imagem do deus, com a tinta vermelha representando o sagrado
No Oriente, em especifico na Índia, Deus é ‘O Convidado’ – Aquele que chega inesperadamente, a qualquer momento. O devoto vive na sombra dessa grandeza todo-poderosa, que se manifestará sem aviso, sempre muito sutilmente, as vezes excentricamente. Então o devoto precisa viver uma vida boa, entregue a sensibilidade e a consciência agudas, de modo a não deixar escapar o momento da visitação.

Isso foi comprovado por mim e pelo pessoal do meu grupo. Em todas as cidades que visitamos, em todos os locais e famílias, nos tratavam como deuses. Eles diziam: “Você é visita, então você é deus em minha casa.”
Ser recepcionada por um indiano é uma emoção indescritível.

Tinta na testa, pele manchada de frio e Sol, mas valeu!

Eles pintam a nossa testa com hena vermelha, depois colocam arroz por cima. Os grãos representam a terra, a humanidade, e a tinta, a divindade. Depois colocam colar de flores em nosso pescoço, geralmente as flores são nos tons laranja, considerada a cor do sagrado para eles, e nos dão comida e bebida. Em todos os lugares, sempre nos era oferecido comida, e a recusa era vista como uma ofensa. O coco é a fruta do sagrado para eles.

Não se reconhece um hindu pela roupa, cabelo, ou costumes. Cada um vive a sua maneira a crença nos diferentes deuses.

Eu, Silvia e Daniel, com o colar de 'Marygold' a flor do sagrado

‘Sonátham’ é como eles chamam o conjunto de todas as crenças.
Cada região da India tem um idioma, uma dança, uma crença. A palavra chave que une tudo isso é: tolerância.
E eles acreditam que até os deuses podem errar.
Deus = GOD
G- enerate (criador)
O- perate (opera, coordena, mantém)
D- estroy (destrói, recria)

A pequena bailarina também é tratada como deus, na India o artista e sua arte são a manifestação divina

Os indianos tem mais de 300 milhoes de deuses, e acreditam que todo ser humano é uma manifestação divina, e todos tem um deus elemental.

Eles acreditam que o templo é o local onde o deus vive, embora não acreditem que é necessário um intermediário para falar com deus,cada um pode encontrar deus dentro de si. Mas em cada templo há o priest =punjare= espécie de padre, respeitados como homens sagrados, uma manifestação do deus, são uma inspiração para tomadas de decisão e exemplo.
Na índia, não há divisão entre o publico e o sagrado, os deuses estão em tudo, no comercio, nas es colas, nas casas, nos eventos, enfim,em tudo.

E a comentada 'Suástica' (vide Dourado no BBB 10) é realmente um símbolo Hindu, e a conotação que ela tem no Oriente não tem nada de ruim. É um símbolo sagrado, muito poderoso e extremamente pacífico. Nesse ponto, lamento os mal informados que estão atacando o Dourado por conta da tatoo. Eu confesso que não sabia do significado, até chegar na India e encontrar a suástica em vários locais, desde templos, até casas (a casa que fiquei em Rourkela tinha uma suástica no portão) e em jardins.

Jardim do local de visitação de antigas Cavernas


Do Wikipedia: "A palavra "suástica" deriva do sânscrito svastika (no script Devanagari - स्वस्तिक), significando um amuleto da sorte, e uma marca particular de pessoas ou coisas que trazem boa sorte. Ela é formada do prefixo "su-" (cognata do grego ευ-), significando "bom, bem" e "-asti", uma forma abstrata para representar o verbo "ser". Suasti significa, portanto, "bem-ser". O sufixo "-ca" designa uma forma diminutiva, portanto "suástica" pode ser literalmente traduzida por "pequenas coisas associadas ao que traz um bom viver (ser)". O sufixo "-tica", independentemente do quanto foi dito, significa literalmente "marca". Desta forma na Índia um nome alternativo para "suástica" é shubhtika (literalmente, "boa marca"). A palavra tem sua primeira aparição nos clássicos épicos em sânscrito Ramayana e Mahabharata "

Há três principais deuses Hindus:
Vishna
– administrador
Brahma – criador
Shiva –destruidor
Os três formam ‘Bram’.

Deus não é uma entidade física,é algo invisível. Há basicamente 3 deuses principais e cerca de 330 milhões de outros deuses.

O mais cultuado é Lord Ganesh ( ou Ganesha):

''Shiva é um deus temperamental. Ganesh é filho de Shiva e nasceu em sua ausência. Quando Shiva voltou e viu um pequeno homem,cerca de 8,9 anos, perguntou: “Quem é você?” e Ganesha questionou: ‘Não, quem é você?”

Shiva pegou o seu tridente e cortou a cabeça de Ganesh fora.

Então sua esposa, viu a situação e explicou o que acontecia. Shiva tentou arrumar a situação:

-Eu prometo que trarei nosso filho a vida.

Quando um deus faz algo, ele pode modifica-lo, mas não reverter o que fez.

Então, ele trouxe o filho a vida, andou pela casa e o primeiro animal que ele encontrou ele retirou a cabeça e colocou na do filho, e esse animal era o elefante.

A esposa, descontente, questionou: ‘Ai de mim, agora ninguem vai gostar do meu filho, veja como ele ficou!’ e então Shiva prometeu que o'' filho seria sempre o primeiro deus a ser reverenciado, em todas as celebrações, e seria o deus mais adorado. ''


Lord Ganesh e eu, Raipur - India

E isso realmente acontece na India. Antes de qualquer evento, reunião, celebração, é feito uma dança,canto ou oração para o Lord Ganesha. Ele está sempre em primeiro lugar.

“Se os homens podem errar, então os deuses também podem errar. Isso demonstra que erros fazem parte da vida, e você pode corrigi-los, retificá-los.” (Nick)

*Nataraj – o deus bailarino , uma das faces de Shiva, a dança da destruição.
*historia contada no trem, por Nick, de Balaghat a caminho de Raipur. Informações sobre o deus como ‘O Convidado’ – Akhil, de Raipur, que foi meu hostess, e Zulma Reyo, escritora, que viveu na Índia em busca de definições do sagrado.

Uma frase interessante que ouvi do Sr Janardam Kar (Korba) “Não devemos falar de religião, devemos praticá-la.” E outra, mais especial:
“Não existe beleza. A beleza está nos olhos de quem vê.”

E meu hostess Akhil, de Raipur, ao me ver chorando de felicidade por presenciar um noivado indiano: "Você consegue se emocionar com as coisas simples e achar que tudo é especial, porque você é especial."

Tem como não gostar da India, gente?

No próximo post sobre India eu conto a emoção de ver um noivado, algo que turistas não teriam acesso tão facilmente...

* lembrando a todos que os textos sobre a India retratam a minha experiencia desses 36 dias pelos 3 estados e 13 cidades que visitei, é apenas o meu olhar, não quer dizer que todo o país seja assim, apenas descrevo o que vi e senti. E com todo respeito aos indianos e ao belissimo pais de constrastes que é a India.

*texto e fotos: Luciana Arruda

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A Dança na Índia - Breve Relato

por Luciana Arruda
A historia da Dança na Índia se confunde com a historia do próprio país, um arcabouço de significados imerso no contexto social, político e religioso da Índia, traduz de maneira impar o quanto a dança é importante para um povo.

As informações desse texto foram transmitidas a mim pelo médico Dr Dipankar, de Puri- Orissa, da Bailarina Aruna Mohanty, de Bhubaneswar e derivadas de anotações feitas por mim em visitas a academias, escolas de dança, apresentações e festivais pelos estados de Chhattisgarh (Raipur; Korba; Bilaspur;) , Madhya Pradesh (Balaghat; Jabalpur;); Uttar Pradesh (Agra), e Orissa (Berhampur; Bhubaneswar; Sambalpur; Rourkela; Puri; Cutack) além da capital Délhi.

A historia da dança na Índia pode ser divida didaticamente em quatro partes:
Parte 1 – quando as mulheres eram livres, dançavam e podiam se expressar;
Parte 2 – quando, de repente, as mulheres foram proibidas de dançar;
Parte 3 – apenas os homens dançavam;
Parte 4 – através das crianças – muitas vezes meninos vestidos de meninas- aos poucos a dança foi retomada e as mulheres voltaram a dançar.

Parte 1- A Dança na Índia é uma manifestação cultural que, muitas vezes, adquiriu significado sagrado. Para os indianos, em sua maioria hindus, dançar é uma forma de prece e de traduzir e contar a historia dos deuses. Usualmente, as mulheres eram responsáveis pelas danças ritualísticas e pela manutenção da cultura indiana.

Parte 2 – Com a invasão dos muçulmanos na Índia, as mulheres foram abrupdamente proibidas de dançar, foi instituído o uso do véu, algumas atrocidades foram cometidas em relação as mulheres e por um período de cerca de 500 a 800 anos a dança foi algo proibido.

Parte 3 – Durante o domínio dos muçulmanos, apenas os homens tinham direitos, inclusive de dançar.

Parte 4- Com a saída dos muçulmanos e a vinda dos britânicos, aos poucos as mulheres voltaram a ter espaço na sociedade e a poder dançar. Inicialmente as crianças expressavam a cultura através da dança e muitas vezes, com meninos que se vestiam de meninas para poder dançar e ressaltar a importância da mulher. (Essa dança persiste até hoje, e é chamada de ‘Goti Pua’ um folclore realizado por meninos vestidos de meninas ‘goti = 1 pua=meninos)

A primeira manifestação de dança pós-dominio muçulmano foi chamada de ‘Mahan’, por volta do séc 17 a 19 e com o passar dos anos e desenvolvimento, transformou-se no que é hoje a Dança Clássica Odissi (Odisha – Orissi- Odissi).

Performance em Raipur- Odissi

Na dança Odissi, o sagrado é o foco, a razão de tudo. A bailarina dança para o deus, e antes de qualquer evento ou reunião, a bailarina faz a abertura honrando e pedindo a proteção do deus. É dedicada a Lord Jagannath, e sua representação é vista na dança principalmente nos movimentos de braço, pois o deus manifestado em sua forma, possui braços incompletos e sempre na posição com cotovelos elevados. Mas muitas vezes a bailarina dança Odissi como forma de reverenciar outros deuses, principalmente Lord Ganesh.

A musica é clássica indiana, com vocalizações realizadas em momentos específicos, e as letras contam a trajetória do deus Jagannath, ou falam sobre a busca pelo sagrado.


A principal característica da Odissi é a dissociação das partes do corpo – torso, pés, cabeça, braços. Segundo a professora me disse, para ter uma idéia se uma bailarina é boa, deve-se fotografá-la durante a performance e ver nas fotos que, em nenhum momento seu corpo está alinhado. Interessante!


Manifestações da Dança Odissi estão presentes em quase todos os sítios arqueológicos e templos da Índia, principalmente em Konark (Templo do Sol – Puri)

Templo do Sol

Nas poucas academias estabelecidas (pois usualmente a dança é transmitida entre famílias) o ensino prioriza a técnica e a expressão.

Para uma bailarina ser considerada profissional, ela deve ter pelo menos de 8 a 10 anos de pratica, e as aulas costumam durar 04 horas, alem de treinos extras de expressão e canto.
Em um bate papo com uma professora em Sambalpur (Kendriya School), ela me confidenciou o estranhamento por uma estrangeira querer aprender sobre Odissi (ou até mesmo dança-la):
“Se vocês não conhecem nossos deuses, não vivem o hinduismo, como poderão dançar Odissi?”

Nas escolas normais de ensino, há aulas de dança, canto e fanfarra, e campeonatos estaduais para essas modalidades.


Em relação ao ensino formal, as academias que conheci são muito diferentes de nosso país. A primeira impressão que me marcou foi o piso. Elas dançam no cimento frio, queimado, e fazem todo o trabalho de pés com muita, mas muita força, o som dos pés delicados no cimento é algo que não vou esquecer. As salas tem poucos espelhos, cortinas na janela e ventiladores. Usualmente é feita com musica ao vivo, e os músicos são impecáveis, uma atração a parte. Não há barras ou preocupação com o alongamento e relaxamento. Elas chegam e já começam técnica e combinações. O uniforme é o mesmo traje tradicional de vestri, o “chudedar kameez’ uma espécie de calça larga, bata e xale transpassado. Elas fazem aula descalças, sempre. E com guizos que pesam até 2 kilos nos tornozelos. Quando eu mostrava as fotos do meu estúdio, o piso especial que absorve impacto e perguntava sobre trabalho de alongamento, elas simplesmente sorriam e diziam: “Mas porque você se importa com isso?”
Espero que haja academias diferentes em outros locais da Índia, pois fico pensando nas articulações e músculos dessas bailarinas daqui a alguns anos.

Bailarinos durante ensaio, e depois, no show especialíssimo à noite

Todas admiram a bellydance, e a maioria disse achar extremamente difícil executar os passos, mais uma prova de que dança indiana e dança do ventre são muito, mas muito diferentes. Elas não gostam da dança moderna, do estilo Bollywood, para elas é algo ‘ocidental demais’.
Ao mesmo tempo, as jovens admiram Beyoncé e Akon. E o nosso samba é unanimidade, em todos os lugares eles pediam para eu dançar um pouco de samba.


E o que é o bollywood para as indianas? Tudo que é moderno (chamado de ‘punjabi’), alegre e informal. Elas não vêem técnica no estilo bollywood, e apreciam apenas o fato do estilo divulgar a Índia.

Dança Folclórica

A modalidade Kuttack é praticada com mais ênfase nos movimentos de pés e é dedicada a Lord Khrisna.
Dentre as danças indianas, temos uma gama imensa de significados associados ao sagrado, e dentre estes, danças regionais e folclóricas, que servem para glorificar um estado, região ou o próprio pais.

Dança Tribal

Nada é sem significado na Índia e a Dança é a ferramenta mais poderosa de se contar uma historia ou fazer uma oração.

Fotos: Luciana Arruda
Texto: Luciana Arruda
(fotos do arquivo pessoal, tiradas durante a viagem á India 2009/2010)